Por EDUARDO CÔRTES *

Baobá, na definição do Aurélio, “é uma árvore gigantesca da família das bombacáceas, nome científico ‘Adansônia digitata’, muito disseminada nas savanas africanas, de tronco excessivamente espesso, rico em reservas de água, razão porque se julga o mais grosso tronco do mundo, folhas digitadas e frutos capsulares.” A árvore é considerada sagrada na África, pois pode viver mais de mil anos e também por sua utilização em benefício do homem. “Além de depositarem água em seu tronco, são também utilizadas como residência e até cadeia”, como explica José Pereira Leite, professor da UFRPE e veranista de Porto de Galinhas há mais de 20 anos. O professor Pereira morou na África muitos anos e trouxe vários exemplares da árvore para o Brasil. Uma delas está plantada em sua residência, na praia do Cupe, a mil metros do centro de Porto, e completa 18 anos em maio de 2008, possuindo cerca de cinco metros de altura e diâmetro de um metro na base. O referido professor doou ainda outro exemplar que está plantado próximo de sua residência, em praça pública, mas que, por falta de cuidados, não se desenvolveu adequadamente. “Ipojuca possui cerca de cinqüenta exemplares de baobás”, relata o mestre, sem precisar onde todos podem ser encontrados.

Encontra-se outro baobá no Hotel Armação, a dois quilômetros do centro, este com cerca de dez anos, dez metros de altura e um metro e meio de diâmetro na base. O proprietário do hotel, Mássimo Pellitteri, nos informa que “a árvore foi presenteado por Deodato Teodoro, angolano que mora no Brasil, vizinho em Porto de Galinhas, e que também possui um exemplar em sua casa, próxima ao Armação”.

Outros exemplares da gigantesca árvore podem ser encontrados em Porto de Galinhas, um deles centenário, na residência de Frederico Burle, na beira-mar junto ao centro, que relata que o mesmo “tem mais de cem anos e foi plantado por escravos africanos que eram desembarcados clandestinamente em Porto de Galinhas, trazidos por senhores de engenho para o cultivo da cana de açúcar”. A fazenda Gameleira, terras a direita da estrada de quem chega a Porto, possui também um outro exemplar, que pode ser visto da estrada Porto-Serrambi, cerca de um quilômetro do centro,olhando para a direita de quem sai do balneário em direção à praia vizinha.

O maior de todos os exemplares do Ipojuca se encontra em Nossa Senhora do Ó, sede do distrito onde se situa Porto de Galinhas. Localizado em praça pública, denominada “Praça do Baobá”, este gigante tem cerca de cento e cinqüenta anos de existência, quinze metros de altura e seu diâmetro só pode ser envolvido por vinte homens de braços dados.

Baobá centenário localizado em Nossa Senhora do Ó, na sede do distrito onde se situa Porto de Galinhas, Município do Ipojuca. Foto: Jornal Nativo (detalhe)

LEI DO BAOBÁ

A Editora FLIPORTO está levantando a localização e propriedade dos supostos cinqüenta baobás do Município do Ipojuca, com a finalidade de encaminhar um projeto de lei à Câmara Municipal com o objetivo de tombar os exemplares existentes, responsabilizando os proprietários pela conservação dos mesmos. O projeto já foi abraçado pelo vereador Nem Batatinha, presidente da Câmara, que assim se expressa: “É de grande importância para todos nós homenagear, na figura do baobá, nossos ascendentes negros trazidos como escravos da África, neste ano que a FLIPORTO tem como tema a literatura africana e da América Latina”. Batatinha promete agilizar a tramitação do projeto de lei para que o Prefeito Pedro Serafim Filho sancione o mesmo durante a festa literária, que acontece de 6 a 9 de novembro de 2008.

*Eduardo Côrtes, 59 anos, é engenheiro, escritor e produtor cultural, idealizador da FLIPORTO e da JAZZPORTO, morador de Porto de Galinhas há 22 anos (em maio 2008).