Outubro 2009

Arquivo Mensal

Só letras de pedra

Publicado por Mário Hélio em 31 Out 2009 | sob: Artigos

Ele era magro. Mas não parecia sempre de perfil, como na descrição de Vargas Llosa para o Conselheiro. Era guenzo como os sobrados-severinos do Recife, como os tantos rios de Pernambuco que parecem estar por um fio. E/reto. Nem alto nem baixo.

Fugiu da poesia como o diabo do lirismo. Não houve jeito. Enredou-se nela. E a fez. Como quis. Arquitetura. Engenharia. Pintura. E música? A palo seco. Como o seu nome comprido/cadenciado em pedra, em sucessões aboiadas em ós e ás e és: João Cabral de Melo Neto.

De tanto se criticar e reelaborar tudo o que construía, projetava, pintava com palavras até parece o Heautontimoroumenos (o carrasco de si mesmo) de Terêncio.

Tudo o que escreveu foi pensando-o como “cosa mentale”. Não admira que uma dor de cabeça o haja perseguido – obsessivamente – por quase toda a vida. Muito jovem ingressou na carreira diplomática. Ganhou – perdeu – o mundo; perdeu – ganhou – a sua província para sempre como visgo na memória.

1920. Nasceu no Recife, cidade cheia de vaidades e pudores como logo notaram e espelharam seus primos i-lustres Manuel Bandeira e Gilberto Freyre.

Pelos vinte anos, a sua poesia floresceu (floresceu? Como as flores meio apodrecidas de Baudelaire e as suas antiodes). Pedra do sono, Os três mal amados e O engenheiro são seus três primeiros livros. Meio afrancesados num tempo em que a vida literária brasileira era pouco mais do que isso. Mas veio a poesia com um cerebralismo mais à Valéry que à Mallarmé (apesar deste constar primeiro como epígrafe). Embora haja muita coisa “datada” ali, o que escreveu nesse tempo já insinuava a beleza árida que por fim vai marcá-lo.

A Espanha o redefine. Na verdade, o define. Psicologia da composição, O cão sem plumas, O rio são degraus já muito sólidos do seu antilirismo, pleno de emoção (na verdade, prenhe de uma tensão de corda a ponto de arrebentar-se; represa que já não cabe em si de tão grávida).

Isso se enriquece e se concretiza ainda mais em Paisagens com figuras, Morte e vida severina e Uma faca só lâmina. É a Espanha com seus touros e cantaores que lhe transplanta a voz e enche a sua boca de pedras e substitui seus ossos por facas. A voz e os ossos da poesia com fôlego de fogo em Quaderna, Dois parlamentos, Serial.

Política, metalinguagem, erotismo, humor – palavras-chaves de sua poesia. Pode-se ainda soletrar de cor os nomes dos seus outros livros: A Educação pela pedra, Museu de tudo, A escola das facas, Auto do frade, Agrestes, Crime na calle Relator, Sevilha andando e Andando Sevilha.

Qual o seu melhor livro? As massas (se é que as há para a poesia, como desconfiava Maiakovski) verão na secura de Morte e vida severina o seu biscoito mais fino. A crítica talvez diga que é A educação pela pedra. Cada um dirá do seu. Em todos os melhores, de algum jeito, respiram aquela Espanha-Pernambuco e aquele Pernambuco-Espanha que como os rios Capibaribe e Guadalquivir integram a mesma “maçonaria”, pois, ele, que se propunha tão no extremo do anticonfessional, certa vez confidenciou em versos:

“Só duas coisas conseguiram/ (des)feri-lo até a poesia:/ o Pernambuco de onde veio/e o aonde foi, a Andaluzia./ Um, o vacinou do falar rico/ e deu-lhe a outra, fêmea e viva,/ desafio demente: em verso/ dar a ver Sertão e Sevilha.”

Fliporto 2009: Congresso Literário

Publicado por Mário Hélio em 30 Out 2009 | sob: Artigos

O Congresso Literário de 2009 destaca escritores polivalentes e em contato dinâmico e vivo com os mais variados meios de expressão, como a música, as artes plásticas, o cinema, a TV, o teatro. Nove países se fazem representar: Brasil, Uruguai, Chile, Colômbia, Venezuela, Canadá, Portugal, Espanha e Israel. Além de discussões em torno do tema central – a Iberoamérica – os painéis destacam a obra de João Cabral de Melo Neto (homenageado da Festa) e refletem grandes questões universais da literatura, como o ato de escrever, a preservação cultural e o futuro do livro (em papel e eletrônico), além de levar ao palco as conexões da literatura com a história e o jornalismo. Alguns dos mais premiados e êxitos de vendas na América e na Europa estão presentes.

Perfis breves dos autores

EDUARDO GALEANO (1940)

Escritor e jornalista uruguaio. É um dos autores de língua espanhola mais populares e influentes na atualidade. Os seus textos são escritos com sabor e clareza únicos, urdindo os fios de jornalismo, história e ficção, num tecido lógico de grande originalidade. Em abril deste ano, na cumbre de Trinidad y Tobago, causou frisson o presente que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ofereceu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama: um exemplar do seu livro de As veias abertas da América Latina, de Galeano. Além dessa obra, se destacam no conjunto dos mais de trinta livros que publicou: Espelhos – uma quase história universal; Memória do fogo; Nós dizemos não; De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso; Futebol ao sol e sombra; Dias e noites de amor e guerra; O livro dos abraços e As palavras andantes (com xilogravuras de J. Borges).

FERNANDO BÁEZ (1947)

Poeta, romancista, historiador, educador e bibliotecólogo venezuelano: é um dos maiores especialistas na história do livro e das bibliotecas. Autor da História universal da destruição dos livros, que é best-seller em 17 idiomas (lançado em tradução brasileira em 2006, pela Ediouro) e da Historia da antiga biblioteca de Alexandria, além de A destruição cultural do Iraque: um testemunho de pós-guerra (ainda inéditos no Brasil); no seu mais recente livro volta-se para um tema igualmente forte: Devastación cultural de América Latina. Sobre o seu livro História universal da destruição dos livros opinaram autores como Noam Chomsky: “Impressionante. O melhor livro escrito sobre este tema”; Umberto Eco: “Temos que ler o seu livro porque dá calafrios”; e Alberto Manguel: “Uma obra magistral e aterradora”.
www.fernandobaez.galeon.com

INÊS PEDROSA (1962)

Escritora e jornalista portuguesa. Colaboradora de importantes veículos como a revista Ler (onde atualmente é colunista) e o semanário Expresso. Um dos nomes de proa da atual literatura iberoamericana. É, desde fevereiro de fevereiro de 2008, diretora da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Publicou, entre outros livros, A instrução dos amantes; Nas tuas mãos; Fazes-me falta, A menina que roubava gargalhadas; Fica comigo esta noite; e A eternidade e o desejo.

JOSÉ MARÍA MERINO (1941)

Romancista, contista, poeta e ensaísta espanhol. É membro da Real Academia Espanhola (onde ocupa a cadeira M) e patrono de honra da Fundação da Língua Espanhola. Da sua grande produção como ficcionista se destacam obras como O lugar sem culpa; As visões de Lucrécia; O ouro dos sonhos, e trilogias como Novelas del mito (composta por El caldero de oro, La orilla oscura e El centro del aire) e Las crónicas mestizas (composta por El oro de los sueños, La tierra del tiempo perdido e Las lágrimas del sol. É também um dos mais premiados autores espanhóis da atualidade, inclusive no gênero infanto-juvenil. Em 2008 recebeu o Premio Castilla y León de las Letras; em 2007 o Salambô, pelo livro La glorieta de los fugitivos; em 2006 o Torrente Ballester por El lugar sin culpa; em 1996 o Miguel Delibes por Las visiones de Lucrecia; e vários outros. Seu livro mais recente, La sima, lançado neste ano de 2009, trata do polêmico tema da abertura das covas dos desaparecidos da guerra civil espanhola.

JORGE DIAZ (1962)

Jornalista, roteirista e romancista espanhol. É um dos melhores roteiristas da televisão europeia na atualidade. Um dos principais criadores da série Hospital central, de grande popularidade na TV espanhola, ele estreou na literatura com o romance Os números do elefante (Editora Planeta), que conta uma aventura de imigrante com fortes ingredientes de suspense e amparada num conhecimento direto da realidade brasileira. A respeito desse livro, Pedro Paz escreveu: “O fenômeno da emigração durante o pós-guerra é assunto que sempre rendeu na literatura espanhola, com maior ou menor felicidade. Mas estruturar uma história que reflete com rigor e interesse o périplo vital de alguém que se vê obrigado a desenraizar-se e a criar uma nova vida partindo do zero não é tarefa singela. Jorge Díaz decidiu empregar esse contexto como pano-de-fundo para nos contar uma cativante história em Os números do elefante (Planeta, 2009), sua bem-sucedida estreia como romancista”.
www.losnumerosdelelefante.com

ARNALDO ANTUNES (1960)

Poeta, compositor e cantor. Sua primeira novela, Camaleão, ele a escreveu e publicou ainda no tempo de colegial, aos 15 anos de idade. Seu primeiro livro de poesia, OU E (um álbum de poemas visuais), saiu em 1983. Foi por dez anos líder da banda Titãs, criada no começo dos anos 80. CDs como “Cabeça dinossauro” e “Õ Blésq Blom” e canções como “Sonífera ilha”, “Comida”, “Cabelo” alcançaram grande sucesso no Brasil. Paralelamente ao trabalho de compositor e músico popular, ele se destaca na poesia de vanguarda, participando de exposições como “p0es1e — digitale dichtkunst”, na Galerie Am Market Annaberg-Burchholz, em Munique, Alemanha; e de antologias coletivas, como Norte y Sur de la poesía iberoamericana — Argentina. Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Venezuela, publicada na Colômbia, Nothing the sun could not explain — contemporary brazilian poets, publicada nos Estados Unidos, e a individual Antologia Arnaldo Antunes, publicada em Portugal em 2006. Entre os seus livros se citam As coisas; Psia; Palavra desordem; e Como é que chama o nome disso (2006).
www.arnaldoantunes.com.br

LAURENTINO GOMES (1956)

Jornalista e escritor. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação em Administração pela Universidade de São Paulo e cursos na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e Vanderbilt, nos Estados Unidos. Atuou como repórter e editor em alguns dos mais importantes veículos da imprensa no Brasil, como o jornal O Estado de S.Paulo e a revista Veja. Em 2008, após dez anos de pesquisa, publicou o livro 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. O livro é um dos maiores best-sellers de história do Brasil (com versão também infanto-juvenil e audio-book), tendo vendido mais de 500 mil exemplares.
www.laurentinogomes.com.br

CLÁUDIO AGUIAR (1944)

Romancista, ensaísta e biógrafo. É doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha). Foi Bolsista Pesquisador do Ministério de Assuntos Exteriores de Espanha (Madrid), onde se especializou na obra de Ortega y Gasset (Madrid, 1983) e também do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), quando estudou o processo de imigração espanhola ao Brasil junto à Universidade de Salamanca (Espanha, 1983/1986), defendendo a tese doutoral Organización Social y Jurídica de los Inmigrantes Españoles en Brasil. Em virtude do conjunto de sua obra, em 1994, recebeu o prêmio-homenagem, de caráter internacional, perante a prestigiosa Cátedra de Poética Fray Luís de León da Universidade Pontifícia de Salamanca (Espanha), ocasião em que lhe foi outorgado também o título de honor pela mesma Universidade. Entre seus livros (alguns deles traduzidos e publicados em espanhol, francês e russo) estão: Caldeirão; A volta de Emanuel; Franklin Távora e o seu tempo; e Os espanhóis no Brasil.

JOSÉ CARLOS VENÂNCIO

Sociólogo português. Professor-catedrático da Universidade da Beira Interior, a cujo Conselho Geral pertence. Foi professor-visitante da Universidade de Coimbra (Departamento de Antropologia), em 1998/99, e professor-visitante da Universidade de Macau (Departamento de Estudos Portugueses) de 1996 a 2006. É atualmente conferencista no Programa de Doutoramento “Antropologia de Iberoamérica” do Instituto de Estudios de Iberoamérica da Universidade de Salamanca. É Acadêmico Português de Número da Academia Internacional da Cultura Portuguesa e vice-presidente da Mesa da Assembleia da Sociedade Angolana de Sociologia. Publicou vários trabalhos sobre a África de língua portuguesa, Macau e o Brasil, com destaque para: Literatura e poder na África lusófona; Colonialismo, antropologia e lusofonias; Repensando a presença portuguesa nos trópicos; O facto africano; Elementos para uma sociologia de África; A dominação colonial e Protagonismos e heranças. Coordenou com Adriano Moreira o livro Luso-tropicalismo: uma teoria social em questão, galardoado em 2000 com o Prêmio Gilberto Freyre da Fundação Oriente.

ANA LUIZA BERABA

Historiadora carioca. Formada em história pela UFRJ, estudou cinema na EICTV, em Cuba, e fez pós-graduação em Gestão Cultural pela Fundação Getúlio Vargas. Desde 2003 faz parte da coordenação internacional do Festival do Rio, selecionando os filmes do programa Première Latina. Integra as novas teias de intercâmbio e difusão cultural da Pan-América no Brasil, bem exemplificadas no seu livro América aracnídea – teias culturais interamericanas, a respeito do qual disse Bella Josef que “trata-se de contribuição valiosa para o entendimento de um período capital da cultura brasileira, o que legitima o interesse de sua publicação, para melhor entendimento da aventura americana. Eis um convite à construção de novos enfoques sobre a integração das Américas.”

HUMBERTO WERNECK (1945)

Escritor e jornalista mineiro. Vive em São Paulo desde 1970. Começou a trabalhar como jornalista no suplemento literário do Minas Gerais e passou por, entre outras publicações, Jornal da Tarde – do qual foi correspondente em Paris –, Veja, Jornal da República, IstoÉ, Jornal do Brasil, Elle e Playboy. É autor de O desatino da rapaziada: jornalistas e escritores em Minas Gerais; e Chico Buarque: Letra e música (lançado em 1989, teve em 2006 edição revista e grandemente ampliada, sob o título Chico Buarque: Tantas palavras, Companhia das Letras). Publicou também o volume de contos Pequenos fantasmas (Novesfora, 2005). Organizou pela primeira vez em livro a poesia de Hélio Pellegrino no volume Minérios domados (Rocco, 1993); a antologia Boa companhia: Crônicas (Companhia das Letras, 2005); nos volumes O pirotécnico Zacarias (2006), A casa do girassol vermelho (2006) e O homem do boné cinzento (2007), a obra do contista Murilo Rubião, para a editora Companhia das Letras; e Melhores crônicas de Ivan Angelo (Global, 2007). Em 2008, publicou, pela Cosac Naify, O santo sujo – a vida de Jayme Ovalle, ganhador do prêmio APCA de Melhor Biografia e um dos vencedores do mais recente Jabuti na mesma categoria. Lançou em 2009 O pai dos burros (pela Arquipélago Editorial, de Porto Alegre), cuja primeira edição se esgotou em apenas um mês. Werneck é cronista semanal no caderno “Outlook”, encarte de sábado do recém-lançado (8/10) diário Brasil Econômico, pertencente a um grupo editorial português.

ECCEHOMO CETINA (1968)

Escritor e jornalista colombiano. Na última década, ele trabalhou como jornalista na Radionet e Rádio Santa Fe, na revista Cambio e na televisão (Señal Colombia, NTC Noticias, Noticias Uno y Canal Caracol). No semanário Cambio teve a oportunidade de trabalhar ao lado do escritor colombiano e Prêmio Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez, e de viajar pela América Latina, conhecendo de perto seus problemas e o modo de pensar do seu povo para alimentar suas reportagens especiais. Após a publicação de quatro livros de reportagem de grande impacto na Colômbia – Jaque a la Reina; El Rastro del Diablo; La Soledad de la Media Tortuga, el secuestro de Ingrid Betancourt; La Guaca: la verdadera historia de la caleta de las FARC, e um romance, El Último Duelo – Cetina se posicionou como um dos escritores mais conectados com a realidade nua e crua de um país em permanente conflito. Seu livro La Guaca: la verdadera historia de la caleta de las FARC foi traduzido para o português e publicado neste ano de 2009 pela editora Record sob o título de O Tesouro – reportagem que combina o ofício de jornalista com técnicas de romancista. Esta é a característica mais importante do estilo de Cetina: aventuras extraordinárias contadas de maneira sutil e ousada com mais de um demônio interior.

FERNANDO PORTELA

Escritor pernambucano, radicado em São Paulo desde 1965. Trabalhou para diversas publicações nacionais, como a mítica revista Realidade, mas fez carreira mesmo no Jornal da Tarde, do Grupo Estado, de que foi um dos fundadores; ocupou os cargos de repórter, redator, pauteiro, chefe de reportagem, editor geral, repórter especial e, mais recentemente, diretor de projetos especiais. Publicou reportagens importantes, como Guerra de guerrilhas no Brasil, sobre o movimento guerrilheiro do Araguaia. Esse material dobrou a tiragem do jornal durante uma semana, sendo, depois, transformado em livro, um best-seller nacional. Paralelamente, escreveu vinte e seis livros de ficção, a maioria juvenil, além de literatura para adultos. Já vendeu mais de um milhão de livros da coleção Viagem pela geografia, da editora Ática. Lançou, na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, o romance juvenil Amei de paixão, em 1999. Em 2003, lançou o livro de contos Allegro, em São Paulo, capital. Em 2007, escolhido pelo PAC da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, lançou O homem dentro de um cão, segundo volume de uma trilogia iniciada com o Allegro. O homem… foi um dos finalistas do Prêmio Jabuti, na sua categoria. O terceiro livro da trilogia, Memórias embriagadas, foi lançado em dezembro de 2008 pela Editora Noovha América, de São Paulo.

ANA PAULA MAIA

Romancista e contista. É autora dos romances O habitante das falhas subterrâneas (7 Letras, 2003) e A guerra dos bastardos (Língua Geral, 2007). Em 2006 publicou o primeiro folhetim pulp da internet brasileira em 12 capítulos. Tem contos publicados em diversas antologias, entre elas 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record, 2004) e Sex’n’Bossa (Mondadori, Itália, 2005). Publicou, neste ano de 2009, pela editora Record, o romance Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos.
www.killing-travis.blogspot.com

IGNACIO MARTÍNEZ DE PISÓN (1960)

Romanista e jornalista espanhol. Publicou dez livros, entre os quais se destacam a coletânea de contos El fin de los Buenos tiempos (1994) e os romances Carreteras secundarias (1996), María bonita (2001) e El tiempo de las mujeres (2003). Carreteras secundarias foi filmado em 1997 por Emilio Martínez-Lázaro, e depois, em 2003, pelo diretor francês Manuel Poirier. Martínez de Pisón reside em Barcelona desde 1982. No Brasil, publicou o livro Enterrar os mortos – uma história sobre amizade, Silêncios e mentiras na guerra civil espanhola (2006).

ERIC NEPOMUCENO (1948)

Romancista, contista e tradutor. Tem contos publicados na Holanda, na Argentina, no México, na França, no Chile, em Cuba e na Nicarágua. Além de contista, é autor de livros de não-ficção. Traduziu para o português mais de 50 livros de autores de idioma espanhol, como Eduardo Galeano, Juan Rulfo, Gabriel García Márquez, Julio Cortázar, Juan Carlos Onetti, Juan Gelman e Antonio Skármeta. Ganhou três vezes o Prêmio Jabuti: dois de melhor tradução e um de livro de reportagem, com O massacre. Em 1993, obteve, no México, o Prêmio Plural de contos. Na Fliporto lançará o livro Antologia pessoal, publicado pela Record.

YARON AVITOV (1957)

Escritor, editor, jornalista e crítico literário israelense. Entre mais de uma dezena de livros que escreveu, se destacam Yuma, A boda e Observação. Ele é um dos especialistas na história da literatura hebraica e na chamada Síndrome de Jerusalém que acomete os que têm ideias obsessivas e delírios relacionados com aquela cidade. Entre os prêmios literários que obteve se citam o Jerusalém (1994), Amos (1998) e o Primeiro Ministro (2005). Seja por sua própria obra de escritor, seja pela ação cultural transoceânica, é um dos mais ativos divulgadores da literatura israelense em espanhol.

MARCUS ACCIOLY (1943)

Poeta. Membro da Academia Pernambucana de Letras, onde ocupa a cadeira 19. Foi secretário-executivo do Ministério da Cultura durante o ministério de Antônio Houaiss (governo Itamar Franco). É presidente do Conselho Estadual de Cultura (Pernambuco). Certamente, o maior nome da poesia épica na atualidade no Brasil. Entre os quase vinte livros de poesia que vem escrevendo e publicando há mais de quarenta anos, se sobressaem Nordestinados, Sísifo, Íxion, Guriatã – um cordel para menino, Narciso, Érato e, sobretudo, Latinomérica, em que canta os heróis e anti-heróis de Nosssa América.

JOSÉ LUÍS PEIXOTO (1974)

Escritor e dramaturgo português. Foi o vencedor, em 2001, do Prêmio José Saramango, com o romance Nenhum olhar. Entre as suas peças de teatro se sobressaem Anathema, À manhã e Quando o inverno chegar. Os seus romances estão traduzidos na França, Itália, Espanha, Holanda, República Tcheca, Bulgária, Turquia, Bielo-Rússia, Polônia, Croácia e tem traduções a sair no Reino Unido, Hungria e Japão. No Brasil, publicaram-se Nenhum olhar (Agir, 2005), Cemitério de pianos (Record, 2008) e Uma casa na escuridão (2009).
http://bravonline.abril.com.br/blog/joseluispeixoto

HELOISA BUARQUE DE HOLLANDA (1939)

Ensaísta e professora. Formada em Letras Clássicas pela PUC RJ, com mestrado e doutorado em Literatura Brasileira na UFRJ e pós-doutorado em Sociologia da Cultura na Universidade de Columbia, Nova York. É diretora da Aeroplano Editora e Consultoria e curadora do Portal Literal. Seu campo de pesquisa privilegia a relação entre cultura e desenvolvimento, dedicando-se às áreas de poesia, relações de gênero e étnicas, culturas marginalizadas e cultural digital. Nos últimos cinco anos, vem trabalhando com o foco na cultura produzida nas periferias das grandes cidades bem como no impacto das novas tecnologias digitais e da internet na produção e no consumo culturais. Além da autoria de livros como Cultura e participação nos anos 60 e Impressões de viagem, tem-se destacado como antologista: 26 poetas, lançado em 1976, é marco da chamada poesia marginal. Neste 2009, lançou Enter, a primeira antologia virtual da literatura brasileira. Para festejar os seus 70 anos, as Editoras Língua Geral e Carpe Diem lançam na Fliporto o Memorial que reúne um conjunto de reflexões e depoimentos a respeito do seu trabalho intelectual.
www.enterantologiadigital.com.br

PIERRE OUELLET

Poeta, ensaísta e romancista canadense. É professor titular do Departamento de Estudos Literários da Universidade de Québec, Montréal, sendo uma de suas especialidades a discussão sobre a construção da identidade nos contextos interculturais. Ele analisa as obras de autores em horizontes os mais diversificados, sem esquecer de questões as mais atuais sobre a sensibilidade em meio às inquietações contemporâneas de mundialização, deslocamento e exílio. Em 1994 ele recebeu o Prêmio de Excelência em pesquisa da Universidade de Québec. Publicou mais de trinta livros e milhares de artigos em periódicos científicos. Recebeu o prestigiado Prêmio Ringuet da Academia de Letras de Québec pelo livro Legenda dourada (1998). Seus livros mais recentes são: L’engagement de la parole. Politique du poème (2005), Outland (2006) e Trombes (2009).

CHRISTINE PALMIÉRI

Poeta, artista plástica, crítica e curadora de arte canadense. Doutora em Études et pratiques des arts Recherche-création (2001), pela Universidade de Québec. Recebeu o premio de design gráfico “Excellence in Book design in Canada” (1995). Como artista, realiza instalações, vídeos e fotografias. Participou de uma centena de exposições na França, México, Estados Unidos, Marrocos, Canadá, Brasil e Japão. Como poeta, publicou a coletânea intitulada Un gant pour une vie (Éditions des Forges, 2000) e tem poemas seus publicados em revistas e antologias literárias de diversos países, e vem realizando perfomances e conferências em museus de diversos países.

GONÇALO M. TAVARES (1970)

Escritor português de origem angolana. Recebeu alguns dos mais importantes prêmios de literatura em língua portuguesa: o Portugal Telecom 2007; o José Saramago 2005 e o LER/Millennium BCP 2004, com o romance - Jerusalém (Caminho); o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do Jornal Expresso, com o livro O Senhor Valéry (Caminho), e outros prêmios para diversos outros livros. As suas obras deram origem a peças de teatro, objetos artísticos, vídeos de arte, ópera, projetos de arquitetura e teses acadêmicas em Portugal, no Brasil e na Itália. Tem 21 livros que estão a ser traduzidos em mais de 16 países. O romance Jerusalém foi incluído na edição europeia de 1001 livros para ler antes de morrer – um guia cronológico dos mais importantes romances de todos os tempo.
www.goncalomtavares.blogspot.com

LAWRENCE FLORES PEREIRA (1965)

Poeta, tradutor e ensaísta gaúcho. Doutorou-se entre Porto Alegre (PUC-RS) e Paris, junto a Université de Paris IV. Traduziu Hamlet para o teatro, que foi aos palcos com grande sucesso em Porto Alegre e Montevidéu, sob direção de Luciano Alabarse e dramaturgia de Kathrin Rosenfield. Como poeta, é autor do livro Engano especular; como tradutor se destacam também as suas versões da peça Antígona e da poesia lírica moderna de T. S. Eliot, Charles Baudelaire, Wallace Stevens, Emily Dickinson, Hölderlin, John Donne. Entre os poetas populares, sua própria poesia, os gregos, os franceses trágicos e Shakespeare, Lawrence vê um fio secreto, a linguagem, a clareza, mesmo na obscuridade: sua atividade tradutória está intimamente ligada com a essência da poesia. Atualmente dedica-se a estudar a poesia do poeta romântico inglês John Keats e é professor de literatura de língua inglesa na Universidade Federal de Santa Maria (RS).

TARCÍSIO COSTA (1960)

Escritor e diplomata. É doutor em teoria política pela Universidade de Cambridge (King’s College), com pós-doutoramento em história das ideias no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. Além de duas temporadas em Brasília (Secretaria de Estado das Relações Exteriores e Assessoria Diplomática da Presidência da República), serviu em Londres, São Francisco, São Paulo e Madri. Atualmente vive em Roma, onde é ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil na Itália. É organizador do livro Brasil e Espanha – diálogos culturais (2006) e autor de As duas Espanhas e o Brasil (2009).

AQUILES MAGIDE (1958)

Cientista político espanhol. Doutor em Ciências Políticas e da Administração Pública, pela Universidade de Salamanca. Especialista Internacional em Relações Industriais, pela Universidade de Alcalá de Henares (Madri). É professor orientador da Universidade Nacional de Educação à Distância (Centro Associado de Zamora), em diversas áreas de Direito Civil e Mercantil, Ciências Políticas e Sociologia, ensinando disciplinas de Relações Internacionais e de Sistemas de Organização Política Contemporânea.

SILVIO ROBERTO DE OLIVEIRA

Poeta, dramaturgo e ficcionista. É geólogo e advogado, tendo viajado por todo o Brasil em atividades de pesquisa mineral, o que também lhe dá oportunidade de um contato direto com o povo brasileiro e sua terra, refletindo-se em seu trabalho literário. Estreou em 1984, com Modo Nordeste (poesia), Prêmio Othon Bezerra de Melo, da Academia Pernambucana de Letras (Francisco Alves-RJ). Em 1985, obteve o Prêmio Nelson Chaves de Humanidades, da Fundação Joaquim Nabuco, com o trabalho para teatro intitulado Quixotinadas - cruzaventuras sertanholas, publicado em 1987. Em 1986, foi o ganhador do Prêmio Cidade do Recife, com O anjo cangaceiro (teatro), ainda inédito. Em 1987, publica também Terrabalada (poesia, Francisco Alves – RJ) e A viagem dos bichos (teatro infantil. Em 1993, vem a público a novela Saveiro do inferno (Iluminuras-SP), vencedora do Concurso Nacional de Literatura, do Gabinete Português de Leitura do Recife. Em 1996, obtém o Prêmio Banco Mercantil, da União Brasileira de Escritores – Seção Pernambuco, com Grafite (poesia). A peça Quixotinadas já teve montagens no Recife, em Vitória do Espírito Santo e São Paulo, com grande sucesso, ao trasladar a figura do célebre personagem de Cervantes para o sertão nordestino. Atualmente, Quixotinadas vem sendo apresentada pelo grupo Lionarte, de Limoeiro, em diversas cidades de Pernambuco.

LUIZ COSTA LIMA

É professor de Teoria da Literatura e Literatura Brasileira na UERJ e ensina no Programa de História Social da Cultura da PUC-RJ. Os dados biográficos normalmente impressos informam que ele é maranhense. Sobre isso e o seu trabalho intelectual ele diz: “Sou tão maranhense como alguém que apenas nasceu em Montevideu e viveu toda a vida noutro lugar. Apenas nasci em São Luís, sendo levando para o Recife com nove meses. Aí fiquei até 1960, quando fui estudar na Europa, sem sequer conhecer Rio e São Paulo. Voltei para ser daqui posto pra fora pelo golpe de 1964. Durante toda minha vida, tenho sido professor, exceto no período entre a expulsão da Universidade (outubro de 1964) e minha volta a uma Uni particular, a PUC do Rio (1966). Professor como modo de sobrevivência, e autor, por acreditar que teria alguma coisa a dizer. Tenho cerca de ou um pouco mais de 15 livros. Não, nenhum deles é de poesia ou de prosa ficcional. Todos são de reflexão teórica e de prática crítica. Não, nunca pensei que a crítica literária se confundisse com falar bem ou mal da letra impressa. Meu livro mais recente, O Controle do imaginário e a afirmação do romance, tem duas partes. A primeira retoma a questão dos mecanismos de controle a que as obras, a serem depois chamadas de literárias, têm sido submetidas pelo poder político e religioso, desde o início dos tempos modernos. A segunda trata de quatro romances que considero exemplares: o Dom Quixote, As relações perigosas, Moll Flanders e Tristram Shandy”. Da extensa obra de Costa Lima como teórico e crítico da literatura, mencionam-se: Controle do imaginário e a afirmação do romance, Teoria da literatura em suas fontes, Mimesis e modernidade e Limites da voz.

ERIC NEPOMUCENO (1948)

Escritor , jornalista e tradutor. Tem contos publicados na Holanda, na Argentina, no México, na França, no Chile, em Cuba e na Nicarágua. Além de contista, é autor de livros de não-ficção. Traduziu para o português mais de 50 livros de autores de idioma espanhol, como Eduardo Galeano, Juan Julfo, Gabriel García Márquez, Julio Cortázar, Juan Carlos Onetti, Juan Gelman e Antonio Skármeta. Ganhou três vezes o Prêmio Jabuti: dois de melhor tradução e um de livro de reportagem, com O massacre: sobre a matança no Eldorado do Carajás (Pará). No ano passado, a editora Record publicou a sua Antologia pessoal, que reúne 41 contos, dois dos quais inéditos, e os outros 39 que integram o livro Contradanza y otras historias, Antes del invierno (publicados originalmente em espanhol), A palavra nunca, 40 dólares e outras histórias, Coisas do mundo, e Quarta-feira, escritos ao longo dos últimos 35 anos, em cidades onde o autor morou: Buenos Aires, Madri, Cidade do México e Rio de Janeiro.

CRISTOVÃO TEZZA (1952)

Romancista catarinense, radicado há muitos anos em Curitiba. É professor da Universidade Federal do Paraná. Em 1988 publicou Trapo, que tornou seu nome conhecido nacionalmente. Nos dez anos seguintes, publicou os romances Aventuras provisórias (Prêmio Petrobrás de Literatura), Juliano Pavollini, A suavidade do vento, O fantasma da infância e Uma noite em Curitiba. Em 1998, seu romance Breve espaço entre cor e sombra foi contemplado com o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional (melhor romance do ano); e O fotógrafo (Rocco), publicado em 2004, recebeu no ano seguinte o Prêmio da Academia Brasileira de Letras de melhor romance do ano e o Prêmio Bravo! de melhor obra. A partir de setembro de 2009, passou a assinar uma coluna quinzenal na seção de literatura do caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo. Em 2006, assinou contrato com a Editora Record, que começou a relançar sua obra. Em dezembro de 2007, o romance O filho eterno recebeu o Prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) de melhor obra de ficção do ano. Em 2008, recebeu os prêmios Jabuti de melhor romance, Bravo! de melhor obra, Portugal-Telecom de Literatura em Língua Portuguesa (1° lugar) e Prêmio São Paulo de Literatura, melhor livro do ano. Em 2009, recebeu o prêmio Zaffari & Bourbon, da Jornada Literária de Passo Fundo, como o melhor livro dos últimos dois anos. O romance foi lançado na Itália, em Portugal, na França, e já tem edições contratadas Espanha (em espanhol e catalão), Holanda, Austrália e Nova Zelândia.
www.cristovaotezza.com.br

MANUEL DA COSTA PINTO (1966)

Ensaísta, crítico literário e jornalista. Formado em jornalismo pela PUC-SP e mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP, é autor de Literatura Brasileira Hoje (Publifolha, coleção “Folha Explica”) e Albert Camus – Um Elogio do Ensaio; co-autor de Ilha Deserta – Livros (Publifolha) e organizador e tradutor da antologia A Inteligência e o Cadafalso e outros ensaios, de Albert Camus. Foi editor-assistente da Edusp, editor-executivo do Jornal da USP, redator do caderno “Mais!”, da Folha de S.Paulo, editor-executivo da revista Guia das Artes (especializada em artes plásticas) e, de 1997 a 2003, editor da CULT – Revista Brasileira de Literatura. Atualmente, é colunista da Folha de S.Paulo, onde assina a seção “Rodapé”, sobre literatura e livros, publicada aos sábados no “Ilustrada”. [Junho de 2004]. Literatura Brasileira Hoje - Col. Folha Explica. Publifolha

IVANILDO VILA NOVA (1945)

Poeta-repentista pernambucano. Filho do poeta-repentista José Faustino Vila Nova, exerce a profissão de cantador há quase trinta anos. Poeta premiadíssimo e conhecido no Brasil inteiro, foi fundador da Federação das Associações de Poetas Populares do Recife e presidente, em dois mandatos, da Associação de Repentistas e Poetas Nordestinos. Participou, a convite do Governo Arraes, da Comissão Organizadora dos II, III e IV Congressos de Cantadores do Recife, como Coordenador Técnico. De sua autoria, tem gravados por Elba Ramalho o poema “Nordeste independente” e, por Xangai, “Natureza” e “Beira-mar soletrado”. Tem publicado vários folhetos de cordel. Gravou diversos discos de poesia, sozinho e em parceira com outros poetas.

RAIMUNDO CAETANO (1959)

Poeta-repentista paraibano. Sua carreira já completa mais de trinta anos “profissional do improviso”; sobrevive exclusivamente dos versos que, acompanhado da viola, improvisa nos festivais de poesia e outros eventos. Tem mais de trinta prêmios conquistados nas dezenas de festivais de cantoria de que tem participado.

SILVÉRIO PESSOA

Compositor e cantor pernambucano. Iniciou sua carreira na banda Elfos, mas ganhou projeção nacional com Cascabulho em 1994, com a qual fez turnês por Canadá, Estados Unidos da América e Alemanha. Em 2001, após sair da banda, desenvolveu um CD baseado na obra do cantador alagoano Jacinto Silva, chamado Bate o Mancá – o povo dos canaviais. Silvério participa frequentemente de eventos artísticos pelo Brasil e desenvolve atualmente pesquisas em torno dos trovadores provençais. Publicou o livro Nômade (2008).
www.silveriopessoa.com.br

KATHRIN HOLZERMAYR ROSENFIELD

Ensaísta austríaca, radicada no Rio Grande do Sul. Fez doutorado na França e na Áustria, e vive desde 1984 em Porto Alegre, onde é professora na UFRGS e pesquisadora do CNPq. Seus ensaios procuram conciliar a reflexão teórica com as intuições vivas da leitura e da crítica literária. Desde seu primeiro livro sobre A história e o conceito na literatura medieval (1986), ela combina a precisão da pesquisa histórica com a sensibilidade intuitiva que capta o ritmo das imagens, as sonoridades e as melodias do texto. Seus estudos abrangem temas variados, como ensaios teórico-críticos sobre Hegel e Freud, Goethe e Hölderlin (A linguagem liberada), análises de poesia (T. S. Eliot e Charles Baudelaire – poesia em tempo de prosa), interpretação e teoria da tragédia (Antígona – de Sófocles a Hölderlin) e livros didáticos (Estética; e Desenveredando Rosa – a obra de J. G. Rosa e outros ensaios rosianos). Sua preocupação com teoria e prática levou-a a produções teatrais com grandes equipes (Antígona em 2004-5, Hamlet em 2006, sob a direção de Luciano Alabase e com traduções de Lawrence Flores Pereira).

FREDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO (1947)

É pesquisador de história social da Fundação Joaquim Nabuco. Publicou Guerreiros do sol – violência e banditismo no Nordeste do Brasil; A tragédia dos blindados; Quem foi Lampião; A guerra total de Canudos; e Delmiro Gouveia, entre outros livros. Na visão de Billy Jaynes Chandler, o seu estudo Guerreiros do sol é a mais sólida interpretação a respeito do banditismo no Nordeste do Brasil, e sobre o mesmo livro, Ariano Suassuna opinou: “digo que, sem sombra de dúvida, a teoria do escudo ético, de Frederico Pernambucano, foi a única que, até o dia de hoje, me pareceu convincente: foi a única que explicou a mim próprio os sentimentos contraditórios de admiração e repulsa que sinto diante dos cangaceiros.” Gilberto Freyre, no prefácio à primeira edição deste livro o qualificou como um estudo que “não poderá deixar de alcançar repercussão nacional e mesmo transnacional”, como de fato alcançou a sua obra.

ÁNGEL ESPINA BARRIO

É um dos antropólogos espanhóis mais destacados da atualidade. Nos últimos vinte anos, tem congregado em torno do tema da Iberoamérica os melhores especialistas de várias partes do mundo. Professor Titular de Antropologia Social da Universidade de Salamanca, Diretor do Programa de Doutorado Interuniversitário de Antropologia de Iberoamérica e presidente da Sociedade Espanhola de Antropologia Aplicada. Tem ensinado em cursos de pós-graduação em mais de vinte universidades iberoamericanas. Entre seus livros se destacam Freud e Lévi-Strauss (traduzido para o português e o chinês), Manual de Antropologia cultural (traduzido para o português), pelos quais recebeu vários prêmios acadêmicos. No seu trabalho especializado, é bom conhecedor da cultura e da literatura iberoamericanas, estudando há muito diversas figuras míticas e emblemáticas da mesma, entre os quais se destacam os ginetes autóctones, sejam os chamados charros, llaneros, gauchos, lanceros ou bandoleiros.

RONALDO CORREIA DE BRITO

Escritor e dramaturgo cearense radicado no Recife desde a juventude. É médico formado pela Universidade Federal de Pernambuco. Desenvolveu pesquisas e escreveu diversos textos sobre literatura oral e brinquedos de tradição popular, além de ter sido escritor residente da Universidade da Califórnia, em Berkeley, no ano de 2007. Escreveu os livros de contos As noites e os dias; Faca; Livro dos homens; e a novela infanto-juvenil O pavão misterioso. Dramaturgo, é autor das peças Baile do menino Deus, Bandeira de São João e Arlequim. Assina coluna semanal na revista Terra magazine, do Portal Terra. Seu livro mais recente, o romance Galiléia (2008) ganhou neste ano de 2009 o Prêmio São Paulo de Literatura.

TATIANA SALEM LEVY

Escritora e tradutora brasileira (nascida em Portugal, de ascendência turca). É doutora em Estudos de Literatura. Publicou o ensaio A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze; e contos na revista Ficções 11 (7Letras) e nas antologias Paralelos (Agir) e 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record). O romance A chave da casa (publicado em Portugal e no Brasil e traduzido para o espanhol e o francês) recebeu em 2008 o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Estreante, e foi finalista do Prêmio Jabuti nesse mesmo ano.

JUAN ANDRÉS BLANCO

Historiador espanhol. Professor Titular da Universidade Nacional de Educação à Distancia (Uned). Um dos grandes especialistas na história contemporânea da Espanha, especialmente a Guerra Civil, tema de sua tese de doutorado, e também na história da imigração, a respeito da qual publicou numerosos livros, como Emigración española a Cuba y México – presencia española en hispanoamérica e Castellanos y leoneses en Cuba: el sueño de tantos.

ANTONIO SKÁRMETA (1940)

Romancista e jornalista chileno. Suas obras estão traduzidas para 25 línguas. Entre os seus muitos livros se destacam; Ardente paciência (O carteiro de Neruda); A garota do trombone; O baile da vitória; e os livros infantis A composição e Insônia. Seu romance O carteiro de Neruda (popularizado como O carteiro e o poeta) foi adaptado para o cinema e obteve numerosos prêmios internacionais, além de cinco indicações ao Oscar de Hollywood em 1996. Em 1997, seu programa de TV “O show dos livros” (criado, escrito e apresentado por ele) obteve em Madri o Prêmio Midia 97. Em 1999, o canal de TV People&Arts (Discovery e BBC) emite para todo o mundo iberoamericano a série do programa cultural “A Torre de Papel”, criado, escrito e apresentado por Skármeta. Em novembro de 2003 seu romance O baile da vitória obtém na Espanha o Prêmio Planeta. Esse livro foi adaptado para o cinema e rodado no Chile, sob a direção de Fernando Trueba. O filme foi escolhido para representar a Espanha na competição pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010.

ANTÔNIO JOSÉ MADUREIRA (1949)

Compositor, regente e violonista potiguar, radicado em Pernambuco desde a juventude. Integrou o Movimento Armorial e liderou o Quinteto Armorial, na década de 70, bem como criou e dirigiu o Quinteto Romançal. Desenvolve com os escritores Ronaldo Correia de Brito e Francisco de Assis Lima longa e prolífica parceria que resultou tanto em espetáculos teatrais quanto em discos de grande êxito, como Bandeira de São João, Baile do Menino Deus, Lua Cambará e Arlequim.

ANTONIO CARLOS SECCHIN (1952)

Poeta e crítico literário. Doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Membro da Academia Brasileira de Letras. Detentor de 15 prêmios literários nacionais, entre os quais o de ensaio, concedido pelo Instituto Nacional do Livro, e o Silvio Romero – da Academia Brasileira de Letras, em 1985, ambos para o livro João Cabral: a poesia do menos; Prêmio Alphonsus de Guimaraens, da Fundação Biblioteca Nacional (2002); Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras (2003); Prêmio Nacional do PEN Clube do Brasil (2003), atribuídos a Todos os ventos como melhor livro de poesia. Publicou, além desses, os livros: A ilha; Ária de estação; Movimento; Elementos; Diga-se de passagem; Poesia e desordem; Escritos sobre poesia e alguma ficção; Guia de sebos; 50 poemas escolhidos pelo autor.