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O poeta João Cabral de Melo Neto é homenageado na Fliporto 2009. Apesar de “homenagem” estar entre aquelas palavras que perderam “no uso todo metal”, vale a pena tomá-la como pretexto para uma arqueologia das mais curiosas: a de revolver velhas revistas em busca de pedras-de-toque jornalísticas
Seria uma ótima iniciação ao poeta ler uma reportagem publicada em 2 de dezembro de 1987, na revista IstoÉ. O autor é Humberto Werneck, convidado da Fliporto (ele fala na mesa “Glórias e misérias com a língua portuguesa”, no dia 6 de novembro, a partir das 17h15).
Humberto chega a Porto de Galinhas no dia da abertura da Fliporto (5/9), horas depois de haver recebido em São Paulo um prêmio Jabuti (da CBL) pela biografia O santo sujo (livro publicado pela CosacNaif): livro tão vivo que é como se Werneck houvesse viajado no tempo e trazido pela mão Ovalle para conversar com o leitor. Mas agora é de outra viagem no tempo que se trata: 1987, lançamento de Crime na calle Relator, um dos livros “espanhóis” de João Cabral que naquele ano fazia pouco retornara de vez ao Brasil, depois de a vida quase inteira no exterior diplomática.
Werneck entrevistou João Cabral e a reportagem que disso resultou é um orgulho para a poesia: das poucas vezes em que um poeta foi posto em vida na capa de uma revista de grande circulação (dez anos antes o repórter já conseguira o mesmo feito com Carlos Drummond de Andrade).
Portanto, aqui se reproduz a reportagem, mais do que com o simples pretexto da homenagem a um poeta: festeja-se a boa reportagem.